ROMANCE IDEAL

quinta-feira, 13 de novembro de 2008 às 22:26

Ela é só uma menina e eu pagando pelos erros que eu nem sei se eu cometi...

Com a frase acima, Herbert Vianna começa a canção ROMANCE IDEAL, clássico dos Paralamas do Sucesso e música que eu adoro ouvir, não importa o clima, a companhia, o local.

Nessa música ele foi muito feliz ao retratar uma situação em que, aposto, todos nós já nos vimos pelo menos uma vez na vida: sofrer, sofrer e sofrer pra depois, colocar a mão na consciência e ver que aquilo tudo não faz o menor sentido.

Quem já não passou por isso, que atire o primeiro tijolo!

Romances, amizades, empregos, situações às quais nos apegamos e, ingenuamente, acreditamos que não saberemos viver sem. Ou ainda pior, que é quando julgamos que as pessoas que gostamos e de quem nos vemos afastados também não saberão viver sem nós.

Engano total.

Somos seres individuais. Por mais amigos e amores que tenhamos, por maior que seja nossa família, nossa comunidade, somos seres individuais ainda assim. Todos saberão seguir suas vidas sem você. E, por mais impossível que pareça, você também saberá criar um novo caminho pra você baseado em outras coisas, outras experiências, outra vibe.

Não pague pelos erros que você nem sabe se cometeu. Viva da maneira que Deus permite que seja nesse momento e deixe que as coisas se ajeitem por si só.

Não queira enlouquecer, nem que seja pelo romance ideal. Afinal de contas, ela é só uma menina...

AS CRIANÇAS CRESCEM

quarta-feira, 12 de novembro de 2008 às 02:52
Anos 80. Não sei precisar o ano.

O que sei dizer em riqueza de detalhes é que se tratava de um dia de tempo medíocre em São Paulo. Nem chovia, nem fazia sol, nem nevava, nem porra nenhuma. Aquele tempo cinza e garoa ridícula que toda criança odeia.

Eu com minha mãe em pleno centro da cidade. Só uma sombrinha pra nós dois, o que significa dizer que eu estava ficando molhado com a garoa. Ela cheia de sacolas, insaciável, ávida por novidades, promoções, badulaques.

Eu cheio de fome, como sempre. Doido por uma paradinha em qualquer lugar. Passamos na frente de um Dunkin’ Donuts e a imagem daquela rosquinha coberta de chocolate e confeitos coloridos, transbordando um recheio de creme, parecia uma provocação.

Mas ela não parou. Muita pressa, muitas compras, muita garoa, muita fumaça, muito carro, muito grito, meu pé doendo, que saco! São Paulo.

Aí aconteceu.

Minha mãe apertou o passo e anunciou que, se não andássemos depressa, perderíamos o ônibus. E eu o vi, vindo ao longe naquela avenida movimentada. Ele. O Fofão!

Não, não estou falando daquele boneco bochechudo que aparecia na TV. Fofão era o apelido que o paulistano deu para os ônibus de dois andares que o prefeito Jânio Quadros espalhou pela cidade à época. Vermelhos como os de Londres, lotados como os de Carapicuíba.



Apesar de o tempo estar ruim, da minha mãe fazer meu pé doer com aquele passo apressado, das delícias da Dunkin’ Donuts clamarem por minha boca já cheia d’água, a visão daquele ônibus inusitado me fez ficar animado.

Entramos. Subimos a escada. Posicionamos-nos perto do vidro frontal, sentados e molhados. E eu ali, naquele instante, comecei a me apaixonar perdidamente por aquela cidade fascinante que eu via pela janela.

As crianças crescem e mudam seus gostos. Hoje em dia os donuts não fazem muito mais a minha cabeça. Até por que o Dunkin’ Donuts se mandou do Brasil e os do Wal-Mart não são a mesma coisa...

Mas São Paulo continua sendo uma paixão.

O VERDADEIRO SIGNIFICADO DA MALHAÇÃO

sexta-feira, 7 de novembro de 2008 às 02:08
Existem três significados muito claros para a palavra MALHAÇÃO.

Existe a malhação tradicional, a do Judas em sábado de aleluia. Faz-se aquele bonequinho tosco que guarde alguma semelhança com o traidor imortalizado nas páginas da Bíblia e senta-lhe o porrete no pobre, descarregando tensões e saudando a páscoa.


Existe a malhação novela. Sim, a soap-opera da Rede Globo que está no ar desde 1995 e revelou para o mundo talentos como André Marques, Cláudio Heinrich e muitos outros tão brilhantes quanto, mas cujos nomes não me recordo agora por pura ignorância.

E existe a malhação física, a praticada em ciclovias, pistas de cooper e academias mundo afora.



A novela da Globo tem seu título inspirado nesse terceiro sentido da palavra, já que o cenário principal (e único, a bem da verdade) da história nos primeiros anos era uma academia.

E se analisarmos bem, os três sentidos que dei para a mesma palavra envolvem esforço físico, suor, aprimoramento... É tudo a mesma coisa. Toda malhação é sempre malhação, acima de tudo.

Filosoficamente pobre, esse texto e essas indagações que não interessam a ninguém estão povoando a minha cabeça desde que decidi malhar. Desde segunda-feira passada tenho passado pelo menos uma hora do meu dia em companhia de esteiras, pesos, bicicletas ergométricas, pessoas suadas e insuportavelmente em forma.

Irritante.



É bom para meu adiposo corpo se colocar em movimento com alguma regularidade e método. Já sinto minhas coxas voltando a ser firmes, diferentemente da gelatina em que estavam se convertendo. Suar também é muito bom. Hoje entendo quem vê graça em passar um tempo na sauna.

Mas a academia tem um ritmo que irrita um pouco qualquer pessoa minimamente observadora. Alguns hábitos ali são completamente desnecessários.

Não entendo porque eu sou obrigado a me exercitar ouvindo o Chiclete com Banana se esgoelando nos alto-falantes no último volume. Não sei de onde tiraram a idéia de que ouvir Margareth Menezes cantar
Dandalunda emagreça. Axé hoje vale por umas cápsulas de colágeno. Babado Novo é como um comprimido de ecstasy. Não dá pra colocar um rock? Um pop menos carnavalizado?

Será que eu sou o único aluno que realmente precisa de exercícios ali? Será que só malha quem já não precisa de malhação? Qual será o segredo de Tostines?

Idéias que me surgem enquanto tento me equilibrar nas esteira, a 6,5 km por hora...

E alguém faz idéia do que signifique Dandalunda?

I LOVE HUCKABEES

quarta-feira, 5 de novembro de 2008 às 16:33

Recomendo vivamente essa comédia “existencialista” de David Russel (roteirista ao lado de Jeff Baena e diretor). Em português o título ficou como Huckabees – A Vida é uma Comédia.

Um grande mistério das empresas de cinema com filial no Brasil é saber quem dá esses subtítulos idiotas aos filmes quando não há a menor necessidade disso... Mas, tudo bem. Nesse acaso, o subtítulo tem uma razão de ser, apesar de eu ainda julgá-lo desnecessário.

O elenco do filme é maravilhoso: Dustin Hoffman, Isabelle Huppert, Jude Law, Jason Schwartzman, Lily Tomlin, Mark Wahlberg, Naomi Watts e muitos outros dando vida a um roteiro instigante e contemporâneo. Ambicioso e recheado de nonsense.

O auge do nonsense no filme, pra mim, é a participação da velhinha espanhola durante o encontro dos personagens Albert (Jason Schwartzman) e Tommy (Mark Wahlberg). Ela recita (ou canta, ou geme, ou algo parecido) a seguinte pérola: En los años treinta vivíamos sin água. No havia comida, no aceitunas, no una alma vivida, no conejos em el horno. Comíamos saltamontes y hacíamos pan... Isso em resposta à uma busca do sentido da vida. Maravilha!

Tenho muita preguiça de explicar filmes. Portanto copiei o resumo do site CINEMINHA (copie cineminha.uol.com.br/filme.cfm?id=41596 no seu navegador e veja você mesmo) abaixo:

Albert (Jason Schwartzman, de Simone) é um neurótico que, num mesmo dia, vê três vezes um desconhecido. Decidido a entender o que está acontecendo, ele contrata Bernard (Dustin Hoffman, de Em Busca da Terra do Nunca) e Vivian (Lily Tomlin, de Correndo Atrás do Diploma), uma dupla de detetives existencialistas. O inusitado método do casal consiste em investigar a vida diária de Albert. Para ajudar a resolver os problemas existenciais do jovem, entra em cena uma espécie de filósofa niilista francesa (Isabelle Huppert, de A Teia de Chocolate), descoberta pelo gerente de uma rede de lojas (Law) e por sua namorada e relações públicas (Watts). Audacioso e divertido, Huckabees segue a mesma linha de inusitado humor negro dos outros trabalhos de Russell, com muita sagacidade e charme - o que fica ainda melhor com a trilha sonora de Jon Brion (Embriagado de Amor; Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças).

O blog FUNDO DO POÇO (copie http://moedoteca.blogspot.com/2008/08/huckabees-vida-uma-comdia-i-huckabees.html no seu navegador e veja como ele não teve a mesma preguiça que eu) também falou do filme. Leia um trechinho:

Numa das muitas cenas absurdas e hilárias, Albert Markoviski, após tocar fogo na casa de Jude com o incentivo da Caterine Vauban, descobre que os homens são iguais na dor ao ver o desespero do executivo comparado ao seu próprio. Quando tenta dizer isso ao novo irmão de alma ele é agredido, ao que responde: “você está machucando a si mesmo”. Logo ele se impacienta e enfia a mão na cara de seu rival dizendo “agora estou ferindo a mim mesmo”. Tenho certeza que o leitor moedotecário achou a cena hilariante, mesmo adaptada às letras bloguísticas.

Recomendar esse filme hoje, exatamente nesse 05 de Novembro de 2008 é muito significativo. No mesmo dia em que Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos, assistir um filme americano assim reforça a crença de que a humanidade ainda tem jeito e de que existem americanos que pensam em mais coisas que o resultado da NFL ou o preço do Big Mac.

Assista ao filme! Vale a pena.

SAUDADES DE MIM

sábado, 1 de novembro de 2008 às 02:44

Sim, eu estava com saudades de escrever para o blog.

Mas, mais do que saudade de você, querido leitor, eu estava com muitas saudades de mim mesmo. Essa afirmação pode parecer de um narcisismo total, mas é verdadeira.

Andei perdido por uns tempos. Muita coisa na cabeça.

Fui demitido do emprego que amava, perdi contato com amigos muito queridos e com os meus alunos, riqueza que conquistei em quase dois anos de dedicação... Também perdi o contato e, por tabela, as esperanças de ficar com quem eu amo. Viajei pra ver se o Rio continuava lindo, pensei na vida. Trabalhei bastante, seja nos free-lancers que apareceram, seja nos velhos projetos de sempre.

O fato é que o mundo girou, a Lusitana rodou e eu voltei pra casa, pro SINOPSE INACABADA. É meu cantinho na internet, cavado por mim à foice e fórceps. Ou seja: não posso, não tenho o direito de deixá-lo abandonado.

Acho que estou me encontrando e, aos poucos, me sentindo mais à vontade dentro da vida que tenho. Isso deve refletir nos textos do blog, que devem voltar a aparecer com maior periodicidade.

Não, não sou preguiçoso. Sou só um homem em desenvolvimento, em crescimento.

E crescer dói.

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