QUEM TEM MAIS GARRAFA PRA VENDER

sábado, 14 de março de 2009 às 11:54

A vida sorri mais para quem tem mais garrafa pra vender.

Quem tem mais a oferecer para os outros costuma ser mais bem tratado em sua passagem por este planeta. Os mais bonitos são mais solicitados, os mais bem sucedidos tem mais admiradores (e bajuladores também), os de personalidade mais forte costumam dominar os de temperamento mais dócil e magnetizar olhares por onde passam... A lei do mais forte não se aplica só na selva.

Quem pode mais chora menos, é assim que é.

Quantos de nós já não passaram pela incômoda situação de se perceberem impotentes diante de determinada situação onde se exige mais de nós do que temos para dar?

Na novela O Salvador da Pátria, de Lauro César Muniz, o inesquecível personagem Sassá Mutema, interpretado brilhantemente por Lima Duarte, era um bóia fria analfabeto, de dentes mal cuidados e roupas surradas, apaixonado pela linda e loura professora Clotilde, que ele e qualquer pessoa de bom senso julgariam inatingível para um homem de sua condição física e social.

Apesar disso ele investiu em seu amor. Numa cena lindíssima, declarou-se a ela de modo tocante. Disse textualmente que nada tinha a lhe oferecer, pois nada tinha a não ser a sua própria vida para viver. Mas que ela, a vida que Deus havia lhe dado, a partir daquele momento era dela. Ela que fizesse o que quisesse com o presente.

Capítulos mais tarde as coisas se arranjaram e Sassá conquistou a jovem professora interpretada por Maitê Proença.

Mas e na novela da vida real? Quem nunca se deu conta de que não tinha o suficiente para oferecer a alguém? Não era belo o suficiente para causar o interesse naquela menina especial, não tinha o mesmo apreço por aquele amigo que viva lhe procurando em vão ou não se julgava adulto o suficiente para absorver todas as responsabilidades da faculdade recém começada?

Nem sempre temos garrafas o suficiente.

Nem sempre somos o que esperam de nós.

Muitas vezes nos ferimos ao perceber o desinteresse de alguém diante de nossas mãos estendidas. Quem nunca chorou ao lado do telefone, esperando ele tocar? Quem nunca se sentiu com menos do que deveria ter?

PS – Esse texto parece meio deprê, não é? Pois é... E era mesmo. Mas enquanto eu escrevia o parágrafo anterior o telefone tocou e minhas mãos estendidas receberam um belo e inesperado afago de quem eu amo. Não deu nem pra terminar o texto. A vida surpreende!

OS ESTRAGOS QUE O TEMPO FAZ

segunda-feira, 9 de março de 2009 às 07:58

Hoje, remexendo em arquivos antigos do computador, levei um susto comigo mesmo. Abrindo antigos arquivos de texto, ouvindo músicas de cuja existência em meu PC eu nem me lembrava mais, percebi o quanto somos mutantes.

Coisas que me faziam todo o sentido há um ano atrás, hoje me soam distantes e abstratas. Notei uma clara mudança de valores, de comportamento, de humor, de objetivo concreto.

O tempo faz estragos consideráveis na gente.

Alguns sonhos desfeitos, outros ainda no começo, não sou mais o mesmo que vestia esse corpo há cerca de doze meses. Mudanças de parâmetros, de paradigmas. Alguns rompidos definitivamente. Outros firmes, engessando minhas ações como sempre.

Não cheguei a conclusão alguma quanto ao fato dessas mudanças terem sido benéficas ou não. Também não sei dizer se foram fruto de um processo natural de adaptação e amadurecimento ou uma simples fuga, um tiro de festim.

O que sei é que estou vivo.

Com cicatrizes, alguma experiência e muitos sonhos, ainda.

Um deles, por mais prosaico que seja, está se tornando realidade. Estou indo muito bem nas aulas de direção. Creio que serei um bom motorista. Mas isso só o tempo dirá.

Só ele conserta os estragos que ele mesmo agravou, só ele fecha feridas que ele mesmo fez sangrar, só o tempo arranca de nós a angústia de não sermos quem pensamos ser, não termos o que desejamos ter.

O tempo é nosso pai e nosso algoz.

HUMANO?

sábado, 7 de fevereiro de 2009 às 16:22

São Paulo, final de tarde.

Um monte de pessoas se aglomeram em volta de um córrego sujo e barrento da zona leste da cidade. Algo chama a atenção daquele povo todo para dentro do fosso concretado.

É um cachorrinho.

Sim, um animalzinho indefeso que está preso ali, sem poder se mover. Segundo testemunhas, uma mulher atirou o pobrezinho no córrego por não querer mais sua companhia. Estaria velho, neurastênico, um estorvo!

Ele não caiu nas águas, ficou preso entre a correnteza e o paredão de concreto, apoiado num cano que serve para escoamento de esgoto.

Ali, naquela posição, aquela criatura de Deus estava equiparada aos dejetos e porcarias sem fim que bóiam no riacho. Aliás, numa análise menos superficial, nos damos conta da estupidez e da crueldade de que os seres humanos podem ser capazes: um córrego que já foi cristalino e fértil agora é imundo, tendo seu fosso concretado em nome de maior conforto dos cidadãos. E ali, misturado a essa verdadeira afronta ao bom senso, um animal inocente, indefeso, descartado como se fora uma garrafa vazia.

Chamados, os bombeiros resgataram o animalzinho sob aplausos da população. A mesma população que nada diz sobre o descalabro de se permitir que um córrego seja sujo pelos seus próprios dejetos.

Seres humanos são mais cachorros que os cães, na maior parte das vezes.

Humanos?

ENTRE PERDAS E GANHOS

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009 às 21:42

Nada na vida é para sempre. Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe. Tudo tem um lado positivo e um negativo.

Chavões, clichês, lugares comuns. Mas verdadeiros.

Entre perdas e ganhos da vida, vamos nos equilibrando, vivendo. Tocando o barco com fé em Deus e pé na tábua.

Me peguei pensando nisso ao analisar minha vida com lupa. Olhando pra dentro, percebi que poucas vezes na vida me senti tão só. As pessoas próximas ainda me amam, ainda querem minha companhia, mas estão todas muito ocupadas ou com outras prioridades. Me dar atenção não está entre elas.

Amigos... Quem vive sem eles? Um cara solteiro, sem namorada e sem filhos como eu encontra na companhia dos amigos uma segunda família, um porto seguro. Mas o que fazer quando os amigos todos resolvem fazer outra coisa?

Quase todos namorando e você solteiro. Fica complicado. Se você quer fazer um programa junto, acaba sobrando mais cedo ou mais tarde. É aquele constrangimento. O casalzinho feliz se beijando, trocando carícias e você olhando pro lado, disfarçando... Se quiser seu amigo ou sua amiga só pra você, seja pra desabafar ou só desfrutar da companhia e do calor da amizade, fica difícil também. Afinal, quem namora geralmente prioriza a relação.

O pior é quando viram pra você e dizem pra você arrumar logo uma namorada pra gente poder sair juntos... Porra!

Achei que a gente namorasse quando estivesse a fim, quando encontrasse alguém legal, que valesse a pena, não alguém que sirva apenas pra fazer um social e desfilar pelos corredores de um shopping center num sábado à tarde. Pra mim uma relação amorosa tem de ser mais que isso.

Tenho duas irmãs, ambas casadas. Também fica claro que há limite no quanto você pode solicitá-las. Afinal, a família delas agora é lá. Virei parente.

É comum eu ficar três semanas sem receber um telefonema que seja de uma delas. Filhos na escola, carro no conserto, marido doente, problemas no trabalho, tudo é motivo para o irmão caçula ficar só no porta-retrato, que afinal de contas é e sempre foi lugar de parente...

Ainda tenho minha mãe. Ela mora comigo, me ama, pode me dar atenção e carinho, fazer um cafuné... Ela é a única mãe que eu tenho. Mas eu não sou seu único filho!

Uma precisa de alguém pra cuidar do bebê, outra quer companhia pro médico, outra a convida pra sair, outra a solicita para costurar umas roupas... Sobram poucos momentos pra nós, geralmente onde ela está cansada e com sono.

Tudo tem seu lado bom.

Ficar meio de lado assim tem a vantagem de que ninguém enche seu saco, ninguém te cobra nada, ninguém te faz interrogatório nenhum sobre porra nenhuma... Há uma certa liberdade na solidão que não é de se jogar fora.

Mas dói.

Entre perdas e ganhos, sobra um cara triste, com alguns raros lampejos de euforia e esquecimento. Mas nada na vida é para sempre, certo?

EU FICO COM SAUDADES

domingo, 1 de fevereiro de 2009 às 00:09

Pra quê fazer isso comigo?

Uma semana sem me telefonar, sem me mandar um só torpedo, um só scrap no Orkut... Sete dias inteiros sem nenhum recado, nenhum sinal de fumaça, nada.

Aliás, essa semana parece que todo mundo resolveu me abandonar. Uma saiu da empresa, outro foi viajar, outro está ocupado com a namorada, outra não tempo pra nada... Mas você?

Depois de uma semana tão intensa, tão cheia de momentos de proximidade e carinho, uma semana de silêncio.

Não precisava. Eu fico com saudades.

Saudade de tudo. Da voz, do cheiro, do sorriso, das brincadeiras, da atenção. Sinto saudades de mim. De como eu fico bem quando estou com você. Sinto muita falta da boa dupla que formamos.

Aí vou ficando triste, triste, mergulhado numa deprê insistente e idiota que me faz chorar ouvindo música sertaneja no rádio do escritório. Coisas de quem fica como eu estou agora, sem te ver faz tempo.

Eu fico com saudades. Não devia, eu sei. É um exagero, só uma semaninha. Pouca coisa. Dizem que é até bom pra dar valor.

Não te telefonei também pra ver até onde você sente minha falta, até onde chega sua vontade de ficar junto de mim. Confesso que no quarto dia já estava com coceiras pelo corpo, dores misteriosas no peito e uma vontade incontrolável de mandar mensagens pelo celular, só pra dar boa noite ou desejar um bom domingo...

Mas me segurei. Sofrendo feito cão... Mas firme. Ninguém gosta de gente grudenta, não é mesmo?

Ainda aposto que a saudade possa bater aí na sua porta com meu rosto impresso à fronte. Vamos ver quanto tempo agüento. Vamos ver quanto tempo você agüenta. Vamos ver quem tem mais garrafa pra vender.

Desculpe qualquer coisa. É que eu fico com saudades.

E fico bobo.

ANO NOVO MESMO

sábado, 31 de janeiro de 2009 às 12:48

Todo reveillon é sempre a mesma coisa. Aquela ladainha que todo mundo já conhece: hora de fazer balanços, de prometer mudanças, de renovar esperanças e blá, blá, blá...

Mas agora, mês de janeiro já no fim, posso dizer que pelo menos pra mim, 2009 parece um ano novo mesmo. Sem enganação.

Comecei o ano com novos empregos. Sim, dois.

Um é no mesmo lugar, na mesma função que exercia desde novembro. Mas o imóvel foi pintado, redecorado, novo público, novas expectativas... Não sei em quê vai dar e até quando eu agüento ficar por lá, mas que o cheiro de novidade é forte, ah isso é.

O outro é novo mesmo. Num outro lugar, com gente nova, fazendo algo que nunca tinha feito e num ritmo alucinante que não me deixa pensar muito em outras coisas, o que é extremamente salutar num momento de renovação e redescoberta como o que tenho vivido.

Semana passada fui à colação de grau do meu melhor amigo. Finalmente formado em Educação Física, bacharel e licenciado! A cerimônia foi muito bonita, e coisa e tal... Mas eu me emocionei de verdade durante a viagem interior que fiz durante a formatura.

Vendo o Fábio ali no palco, de beca e diploma na mão, me emocionei duplamente. Primeiro por se tratar dele, que é como se fosse meu irmão e que merece muito chegar a esse estágio bacana na vida. Em segundo lugar, por mim mesmo, que não consegui levar o sonho de glória na vida acadêmica até o final.

Achei que isso era algo já realizado na minha cabeça, que estava conformado. Mentira. Pretendo voltar aos bancos da faculdade quando tiver tempo e dinheiro suficientes.

Quero fazer uma faxina em casa, jogar tudo que é velho e quebrado fora. Quero pintá-la com cores vivas, quentes. Quero seguir firme na academia, perder o resto de peso que me sobra. Pretendo ler um livro por semana, ver mais filmes, tomar mais sol.

Quero ir ao médico, quero fazer análise, quero terminar logo minha carta de motorista. Estou com fome de vida, de novidade, de brisa do mar. Tenho de fazer minha parte e deixar que o universo faça a dele, sem atrapalhar.

Ano novo é assim. E às vezes as coisas acontecem mesmo.


PS - As figuras do post de hoje e do de ontem foram retiradas do blog do Waldir Leite, grande blogueiro de quem sinto falta.

PENSAMENTOS

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009 às 21:51

São dez pras onze da manhã, acordei agora...

Abri o Word pra escrever pra cá, mas não veio idéia nenhuma na cabeça. A página em branco, o cursor pulsando na tela, eu com remela nos olhos... Modorra.

Mudança de planos. Banheiro, escovar os dentes, lavar o rosto, conferir aquela espinha dolorida no nariz... Está menos inchada, que bom! Volto pra sala, Ringo Starr quer brincar (Ringo Starr é meu fiel cão Daschund, não o baterista dos Beatles)...

Uns minutos depois ele está elétrico e eu exausto. Não agüento mais jogar bolinha nem brincar de luta. Coloco-o no quintal e sento-me em frente à tela ainda em branco, assim como minha cabeça.

Resolvo limpar a lixeira do computador, ver umas fotos pra me inspirar. Nada.

Aí dá fome.

Nada de diferente na geladeira. Corto duas fatias daquele pão feito em casa e faço na chapa, com bastante manteiga. Saem fumegantes, douradinhas, muito boas.

Com o pão num prato sento-me aqui de novo e nenhuma idéia surge. Pão devorado, tela em branco, passam diversos pensamentos na cabeça. Vou falar da posse do Obama. Vou falar sobre o aniversário de São Paulo. Vou falar sobre meu trabalho. Vou falar da Fabiana...

Mas cadê inspiração, querido leitor? Sobraram essas bobagens aqui pra vocês. Desculpem a nossa falha.

Corta.

SINOPSE INACABADA | Powered by Blogger | Entries (RSS) | Comments (RSS) | Designed by MB Web Design | XML Coded By Cahayabiru.com Distribuído por Templates