
Tenho a coleção Anthology, que conta em cinco DVD’s a história dos Beatles e de como eles se transformaram nesse divisor de águas na história da música. Vale a pena ver.
Estou agora, nesse momento, enquanto escrevo essas mal traçadas linhas para este blog praticamente abandonado, com a parte oito da antologia rodando. Estou vendo o clipe de Something, mais precisamente.
Ao ver esse clipe sempre fico repassando na cabeça o que aconteceu a cada um dos casais ali retratados com tanta paixão. Pra quem nunca viu o clipe, procure no You Tube que é bem bonitinho. São os quatro rapazes de Liverpool e suas respectivas esposas à época em cenas fofinhas e de muito significado para quem conhece a história da banda.
Um bosque bem inglês, George Harrison e sua amada (e lindinha) Pattie Boyd em trocas de olhares muito diferentes. Ela bem inocente, praticamente um adolescente. Ele parecendo um lobo mau em frente à Chapeuzinho Vermelho. Irônico imaginar que, poucos anos depois, ela o trocaria por Eric Clapton, melhor amigo de George. Chapeuzinho deu um nocaute no Lobo Mau e ainda tripudiou!
Corta para John e Yoko caminhando de mãos dadas em direção à câmera. O figurino dos dois (ambos de sobretudo preto) e a andrógina maneira dos dois cortarem o cabelo igualzinho (bem comprido e repartido no meio) nos obriga a adivinhar quem é quem. Sinistro.
Aí surge Linda McCartney, fazendo jus ao nome... Linda mesmo, na flor da juventude e do charme que as sardas no rosto lhe davam, tampando o rosto com os cabelos louros para depois tirar, abrindo um sorriso delicioso. Uma espécie de Luana Piovani inglesa (apesar de Linda ser americana). Ou seja, com um pouco menos de tempero e curvas. Mas, ainda assim, Linda. Seja como nome ou adjetivo.
Corta para ela e Paul, abraçados, ela falando-lhe algo ao ouvido. Ele fazendo micagens e macaquices, como lhe é peculiar. Olhando assim, dá vontade de saber se um casal desses daria certo. Ela toda delicadinha, toda feminina. Ele um moleque de colégio, daqueles que estoura vaso sanitário com bombinha de São João...
Sim, eles deram certo. Paul e Linda formaram o casal mais duradouro dos quatro. Paul foi companheiro de sua loura sardenta até o leito de morte, poucos anos atrás. Deve ter feito Linda sorrir de suas brincadeiras até dias antes do câncer ceifar sua vida.
Agora o casal mais absurdo: Maureen e Ringo. Já entram em cena trocando um abraço estranhíssimo, que se pretendia romântico e soou um tanto quanto ridículo. Maureen com uma capa de mágico, preta de forro vermelho. Ringo fumando sem parar... Corta para os dois andando de motocicleta em meio às árvores do bosque, com uma luz linda de fim de tarde. Maureen demonstra estar se cagando de medo de cair. Ringo demonstra ser bom mesmo com as baquetas, já que sua motinha titubeia de um lado para o outro sem a menor direção... Nada mais Ringo que isso. Esse casal não poderia mesmo ir muito longe... E não foi mesmo.
Mais John Ono e Yoko Lennon. Sim, com os sobrenomes trocados. Dá pra confundir mesmo quando eles saem da igreja com o mesmo sobretudo preto da cena anterior... Ah, o cabelo de John é mais claro... E ele usa óculos! Pronto, não confundo mais.
Mas não foi assim mesmo que eles viveram? Como se fossem um só? Uma linda história de amor que terminou como muitas lindas histórias terminam: por conta da estupidez e da mesquinhez humana. E da força da bala.
Paul e Linda brincando com um cachorro. Paul parece ter três anos de idade e Linda parece estar feliz. George e Pattie descendo uma escadaria na paz de Deus, sem stress nenhum. Ringo e Maureen caminham pelo bosque. Ele com cara de quem fumou maconha. Ela com cara de quem tomou três Lexotan.
Close em Maureen, que além de não ser lá uma maravilha em termos de beleza física, ainda não se recuperou dos três comprimidos e desvia o olhar da câmera, talvez procurando uma orientação do diretor. Agora é Linda, com um casaco preto, quem encara a câmera e faz meu coração tremer. Ela era uma gracinha. Pattie em um close ainda mais teenager e Yoko enche a tela de serenidade. É incrível a expressão que ela faz nesse close. Dá vontade de dormir olhando pro rosto dela. Coisas que só os orientais conseguem.
Agora os closes dos rapazes. John é o típico inglês. Sorrisinho irônico quase imperceptível. Paul de barba por fazer, cara de psicopata (juro por Deus!). Ringo na dele, fumando seu cigarrinho e olhando pros lados. E encerramos com George, autor e solista da canção do clipe, com um visual que o deixava muito bonito e parecido com o Jesus Cristo que temos gravado na cabeça.
Vá correndo ver o clipe pra ver se estou certo nas minhas impressões.
O fato é que, ao ver esse clipe, tenho a mesma sensação que tive ontem no shopping, onde fui almoçar com minha mãe. Sentado à mesa, comendo meus sushis e tomando minha Coca-Cola, via os casais passando e ficava nesse mesmo exercício de imaginar quem daria certo ou não. Quem seria compatível ou não.
Ridículo, concorda?
Quem sou eu, comendo em companhia da mãe em pleno sábado, dia internacional dos namorados, pra saber quem dá certo junto ou não?
Isso tudo é inveja, querido leitor. Sentimento ruim do qual tento me livrar diariamente, seja olhando para os casais com mais ternura ou fugindo deles, ficando trancado dentro de casa. Olhar para aqueles casais felizes ainda me faz ter vontade de tomar formicida, embora eu saiba que essa não é a melhor solução para problemas dessa e de qualquer natureza.
A maré tá tão braba que até uma Maureen me servia.
Mas sem a motocicleta, pelo amor da santa...
Estou agora, nesse momento, enquanto escrevo essas mal traçadas linhas para este blog praticamente abandonado, com a parte oito da antologia rodando. Estou vendo o clipe de Something, mais precisamente.
Ao ver esse clipe sempre fico repassando na cabeça o que aconteceu a cada um dos casais ali retratados com tanta paixão. Pra quem nunca viu o clipe, procure no You Tube que é bem bonitinho. São os quatro rapazes de Liverpool e suas respectivas esposas à época em cenas fofinhas e de muito significado para quem conhece a história da banda.
Um bosque bem inglês, George Harrison e sua amada (e lindinha) Pattie Boyd em trocas de olhares muito diferentes. Ela bem inocente, praticamente um adolescente. Ele parecendo um lobo mau em frente à Chapeuzinho Vermelho. Irônico imaginar que, poucos anos depois, ela o trocaria por Eric Clapton, melhor amigo de George. Chapeuzinho deu um nocaute no Lobo Mau e ainda tripudiou!
Corta para John e Yoko caminhando de mãos dadas em direção à câmera. O figurino dos dois (ambos de sobretudo preto) e a andrógina maneira dos dois cortarem o cabelo igualzinho (bem comprido e repartido no meio) nos obriga a adivinhar quem é quem. Sinistro.
Aí surge Linda McCartney, fazendo jus ao nome... Linda mesmo, na flor da juventude e do charme que as sardas no rosto lhe davam, tampando o rosto com os cabelos louros para depois tirar, abrindo um sorriso delicioso. Uma espécie de Luana Piovani inglesa (apesar de Linda ser americana). Ou seja, com um pouco menos de tempero e curvas. Mas, ainda assim, Linda. Seja como nome ou adjetivo.
Corta para ela e Paul, abraçados, ela falando-lhe algo ao ouvido. Ele fazendo micagens e macaquices, como lhe é peculiar. Olhando assim, dá vontade de saber se um casal desses daria certo. Ela toda delicadinha, toda feminina. Ele um moleque de colégio, daqueles que estoura vaso sanitário com bombinha de São João...
Sim, eles deram certo. Paul e Linda formaram o casal mais duradouro dos quatro. Paul foi companheiro de sua loura sardenta até o leito de morte, poucos anos atrás. Deve ter feito Linda sorrir de suas brincadeiras até dias antes do câncer ceifar sua vida.
Agora o casal mais absurdo: Maureen e Ringo. Já entram em cena trocando um abraço estranhíssimo, que se pretendia romântico e soou um tanto quanto ridículo. Maureen com uma capa de mágico, preta de forro vermelho. Ringo fumando sem parar... Corta para os dois andando de motocicleta em meio às árvores do bosque, com uma luz linda de fim de tarde. Maureen demonstra estar se cagando de medo de cair. Ringo demonstra ser bom mesmo com as baquetas, já que sua motinha titubeia de um lado para o outro sem a menor direção... Nada mais Ringo que isso. Esse casal não poderia mesmo ir muito longe... E não foi mesmo.
Mais John Ono e Yoko Lennon. Sim, com os sobrenomes trocados. Dá pra confundir mesmo quando eles saem da igreja com o mesmo sobretudo preto da cena anterior... Ah, o cabelo de John é mais claro... E ele usa óculos! Pronto, não confundo mais.
Mas não foi assim mesmo que eles viveram? Como se fossem um só? Uma linda história de amor que terminou como muitas lindas histórias terminam: por conta da estupidez e da mesquinhez humana. E da força da bala.
Paul e Linda brincando com um cachorro. Paul parece ter três anos de idade e Linda parece estar feliz. George e Pattie descendo uma escadaria na paz de Deus, sem stress nenhum. Ringo e Maureen caminham pelo bosque. Ele com cara de quem fumou maconha. Ela com cara de quem tomou três Lexotan.
Close em Maureen, que além de não ser lá uma maravilha em termos de beleza física, ainda não se recuperou dos três comprimidos e desvia o olhar da câmera, talvez procurando uma orientação do diretor. Agora é Linda, com um casaco preto, quem encara a câmera e faz meu coração tremer. Ela era uma gracinha. Pattie em um close ainda mais teenager e Yoko enche a tela de serenidade. É incrível a expressão que ela faz nesse close. Dá vontade de dormir olhando pro rosto dela. Coisas que só os orientais conseguem.
Agora os closes dos rapazes. John é o típico inglês. Sorrisinho irônico quase imperceptível. Paul de barba por fazer, cara de psicopata (juro por Deus!). Ringo na dele, fumando seu cigarrinho e olhando pros lados. E encerramos com George, autor e solista da canção do clipe, com um visual que o deixava muito bonito e parecido com o Jesus Cristo que temos gravado na cabeça.
Vá correndo ver o clipe pra ver se estou certo nas minhas impressões.
O fato é que, ao ver esse clipe, tenho a mesma sensação que tive ontem no shopping, onde fui almoçar com minha mãe. Sentado à mesa, comendo meus sushis e tomando minha Coca-Cola, via os casais passando e ficava nesse mesmo exercício de imaginar quem daria certo ou não. Quem seria compatível ou não.
Ridículo, concorda?
Quem sou eu, comendo em companhia da mãe em pleno sábado, dia internacional dos namorados, pra saber quem dá certo junto ou não?
Isso tudo é inveja, querido leitor. Sentimento ruim do qual tento me livrar diariamente, seja olhando para os casais com mais ternura ou fugindo deles, ficando trancado dentro de casa. Olhar para aqueles casais felizes ainda me faz ter vontade de tomar formicida, embora eu saiba que essa não é a melhor solução para problemas dessa e de qualquer natureza.
A maré tá tão braba que até uma Maureen me servia.
Mas sem a motocicleta, pelo amor da santa...
