HUMANO?

sábado, 7 de fevereiro de 2009 às 16:22

São Paulo, final de tarde.

Um monte de pessoas se aglomeram em volta de um córrego sujo e barrento da zona leste da cidade. Algo chama a atenção daquele povo todo para dentro do fosso concretado.

É um cachorrinho.

Sim, um animalzinho indefeso que está preso ali, sem poder se mover. Segundo testemunhas, uma mulher atirou o pobrezinho no córrego por não querer mais sua companhia. Estaria velho, neurastênico, um estorvo!

Ele não caiu nas águas, ficou preso entre a correnteza e o paredão de concreto, apoiado num cano que serve para escoamento de esgoto.

Ali, naquela posição, aquela criatura de Deus estava equiparada aos dejetos e porcarias sem fim que bóiam no riacho. Aliás, numa análise menos superficial, nos damos conta da estupidez e da crueldade de que os seres humanos podem ser capazes: um córrego que já foi cristalino e fértil agora é imundo, tendo seu fosso concretado em nome de maior conforto dos cidadãos. E ali, misturado a essa verdadeira afronta ao bom senso, um animal inocente, indefeso, descartado como se fora uma garrafa vazia.

Chamados, os bombeiros resgataram o animalzinho sob aplausos da população. A mesma população que nada diz sobre o descalabro de se permitir que um córrego seja sujo pelos seus próprios dejetos.

Seres humanos são mais cachorros que os cães, na maior parte das vezes.

Humanos?

ENTRE PERDAS E GANHOS

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009 às 21:42

Nada na vida é para sempre. Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe. Tudo tem um lado positivo e um negativo.

Chavões, clichês, lugares comuns. Mas verdadeiros.

Entre perdas e ganhos da vida, vamos nos equilibrando, vivendo. Tocando o barco com fé em Deus e pé na tábua.

Me peguei pensando nisso ao analisar minha vida com lupa. Olhando pra dentro, percebi que poucas vezes na vida me senti tão só. As pessoas próximas ainda me amam, ainda querem minha companhia, mas estão todas muito ocupadas ou com outras prioridades. Me dar atenção não está entre elas.

Amigos... Quem vive sem eles? Um cara solteiro, sem namorada e sem filhos como eu encontra na companhia dos amigos uma segunda família, um porto seguro. Mas o que fazer quando os amigos todos resolvem fazer outra coisa?

Quase todos namorando e você solteiro. Fica complicado. Se você quer fazer um programa junto, acaba sobrando mais cedo ou mais tarde. É aquele constrangimento. O casalzinho feliz se beijando, trocando carícias e você olhando pro lado, disfarçando... Se quiser seu amigo ou sua amiga só pra você, seja pra desabafar ou só desfrutar da companhia e do calor da amizade, fica difícil também. Afinal, quem namora geralmente prioriza a relação.

O pior é quando viram pra você e dizem pra você arrumar logo uma namorada pra gente poder sair juntos... Porra!

Achei que a gente namorasse quando estivesse a fim, quando encontrasse alguém legal, que valesse a pena, não alguém que sirva apenas pra fazer um social e desfilar pelos corredores de um shopping center num sábado à tarde. Pra mim uma relação amorosa tem de ser mais que isso.

Tenho duas irmãs, ambas casadas. Também fica claro que há limite no quanto você pode solicitá-las. Afinal, a família delas agora é lá. Virei parente.

É comum eu ficar três semanas sem receber um telefonema que seja de uma delas. Filhos na escola, carro no conserto, marido doente, problemas no trabalho, tudo é motivo para o irmão caçula ficar só no porta-retrato, que afinal de contas é e sempre foi lugar de parente...

Ainda tenho minha mãe. Ela mora comigo, me ama, pode me dar atenção e carinho, fazer um cafuné... Ela é a única mãe que eu tenho. Mas eu não sou seu único filho!

Uma precisa de alguém pra cuidar do bebê, outra quer companhia pro médico, outra a convida pra sair, outra a solicita para costurar umas roupas... Sobram poucos momentos pra nós, geralmente onde ela está cansada e com sono.

Tudo tem seu lado bom.

Ficar meio de lado assim tem a vantagem de que ninguém enche seu saco, ninguém te cobra nada, ninguém te faz interrogatório nenhum sobre porra nenhuma... Há uma certa liberdade na solidão que não é de se jogar fora.

Mas dói.

Entre perdas e ganhos, sobra um cara triste, com alguns raros lampejos de euforia e esquecimento. Mas nada na vida é para sempre, certo?

EU FICO COM SAUDADES

domingo, 1 de fevereiro de 2009 às 00:09

Pra quê fazer isso comigo?

Uma semana sem me telefonar, sem me mandar um só torpedo, um só scrap no Orkut... Sete dias inteiros sem nenhum recado, nenhum sinal de fumaça, nada.

Aliás, essa semana parece que todo mundo resolveu me abandonar. Uma saiu da empresa, outro foi viajar, outro está ocupado com a namorada, outra não tempo pra nada... Mas você?

Depois de uma semana tão intensa, tão cheia de momentos de proximidade e carinho, uma semana de silêncio.

Não precisava. Eu fico com saudades.

Saudade de tudo. Da voz, do cheiro, do sorriso, das brincadeiras, da atenção. Sinto saudades de mim. De como eu fico bem quando estou com você. Sinto muita falta da boa dupla que formamos.

Aí vou ficando triste, triste, mergulhado numa deprê insistente e idiota que me faz chorar ouvindo música sertaneja no rádio do escritório. Coisas de quem fica como eu estou agora, sem te ver faz tempo.

Eu fico com saudades. Não devia, eu sei. É um exagero, só uma semaninha. Pouca coisa. Dizem que é até bom pra dar valor.

Não te telefonei também pra ver até onde você sente minha falta, até onde chega sua vontade de ficar junto de mim. Confesso que no quarto dia já estava com coceiras pelo corpo, dores misteriosas no peito e uma vontade incontrolável de mandar mensagens pelo celular, só pra dar boa noite ou desejar um bom domingo...

Mas me segurei. Sofrendo feito cão... Mas firme. Ninguém gosta de gente grudenta, não é mesmo?

Ainda aposto que a saudade possa bater aí na sua porta com meu rosto impresso à fronte. Vamos ver quanto tempo agüento. Vamos ver quanto tempo você agüenta. Vamos ver quem tem mais garrafa pra vender.

Desculpe qualquer coisa. É que eu fico com saudades.

E fico bobo.

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