
Nada na vida é para sempre. Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe. Tudo tem um lado positivo e um negativo.
Chavões, clichês, lugares comuns. Mas verdadeiros.
Entre perdas e ganhos da vida, vamos nos equilibrando, vivendo. Tocando o barco com fé em Deus e pé na tábua.
Me peguei pensando nisso ao analisar minha vida com lupa. Olhando pra dentro, percebi que poucas vezes na vida me senti tão só. As pessoas próximas ainda me amam, ainda querem minha companhia, mas estão todas muito ocupadas ou com outras prioridades. Me dar atenção não está entre elas.
Amigos... Quem vive sem eles? Um cara solteiro, sem namorada e sem filhos como eu encontra na companhia dos amigos uma segunda família, um porto seguro. Mas o que fazer quando os amigos todos resolvem fazer outra coisa?
Quase todos namorando e você solteiro. Fica complicado. Se você quer fazer um programa junto, acaba sobrando mais cedo ou mais tarde. É aquele constrangimento. O casalzinho feliz se beijando, trocando carícias e você olhando pro lado, disfarçando... Se quiser seu amigo ou sua amiga só pra você, seja pra desabafar ou só desfrutar da companhia e do calor da amizade, fica difícil também. Afinal, quem namora geralmente prioriza a relação.
O pior é quando viram pra você e dizem pra você arrumar logo uma namorada pra gente poder sair juntos... Porra!
Achei que a gente namorasse quando estivesse a fim, quando encontrasse alguém legal, que valesse a pena, não alguém que sirva apenas pra fazer um social e desfilar pelos corredores de um shopping center num sábado à tarde. Pra mim uma relação amorosa tem de ser mais que isso.
Tenho duas irmãs, ambas casadas. Também fica claro que há limite no quanto você pode solicitá-las. Afinal, a família delas agora é lá. Virei parente.
É comum eu ficar três semanas sem receber um telefonema que seja de uma delas. Filhos na escola, carro no conserto, marido doente, problemas no trabalho, tudo é motivo para o irmão caçula ficar só no porta-retrato, que afinal de contas é e sempre foi lugar de parente...
Ainda tenho minha mãe. Ela mora comigo, me ama, pode me dar atenção e carinho, fazer um cafuné... Ela é a única mãe que eu tenho. Mas eu não sou seu único filho!
Uma precisa de alguém pra cuidar do bebê, outra quer companhia pro médico, outra a convida pra sair, outra a solicita para costurar umas roupas... Sobram poucos momentos pra nós, geralmente onde ela está cansada e com sono.
Tudo tem seu lado bom.
Ficar meio de lado assim tem a vantagem de que ninguém enche seu saco, ninguém te cobra nada, ninguém te faz interrogatório nenhum sobre porra nenhuma... Há uma certa liberdade na solidão que não é de se jogar fora.
Mas dói.
Entre perdas e ganhos, sobra um cara triste, com alguns raros lampejos de euforia e esquecimento. Mas nada na vida é para sempre, certo?