A minha nostalgia, que já é atávica, está ainda mais aguçada, pois. Quando o presente não dá esperanças, a gente se socorre do passado pra não se jogar do primeiro viaduto que encontrar. Aí me lembrei disso e resolvi escrever.
Que ano marcante para todos nós. 1994.
Morreu Ayrton Senna, o Brasil campeão do mundo no basquete e no futebol. Eleição pra presidente, todo mundo achava que agora era Lula! O dinheiro tinha mudado, a inflação morria.
Eu tinha treze anos. Estava em crise, como todo rapazinho dessa idade. E como agora, beirando os trinta.
Terceira mudança de colégio em dois anos, problemas seríssimos de grana e de relacionamento em casa, muitos choques familiares. Estava me adaptando a uma cidade nova, recém saído de São Paulo, trabalhando (comecei a trabalhar fora com onze anos) muito e era um poço de carência afetiva.
Não tinha muitos amigos. Sempre fui reservado e em colégio novo, então... Demorei até engrenar. Mas logo me apaixonei por uma menina linda, cabelos cacheados e pretos, pele muito alva e olhos de jabuticaba.
Flávia era o nome dela. Não tive coragem de falar nada, mas acho que me fiz entender em algumas oportunidades, através de demonstrações de carinho, olhares perdidos... Emprestava meu walkman, buscava balas na cantina e entregava, na esperança que ela entendesse as mensagens que vinham no papel celofane.
No caminho pra casa, havia algumas amoreiras na calçada do campinho de futebol do bairro. Nunca tinha dado muita bola pra elas até que, em Setembro, elas ficaram carregadíssimas. A copa era baixa, dava pra pegar as frutas só esticando o braço.
Causava-me espanto o fato de ninguém dar muita bola para as amoras maduras e doces ali, disponíveis, suculentas. Eu, caipira da capital, acostumado a só ver fruta com etiqueta no Carrefour, me deslumbrava com aquilo.
E comia o quanto conseguia.
Sei que falei dessas benditas amoras aqui no blog, mas esqueci de contar uma coisa. Um dia, sentado sobre os livros na calçada, comendo muitas amoras bem pretas, vi a Flávia passando do outro lado da calçada. Linda, com um moletom branco e calça jeans, sorrindo muito e luminosa.
Levei um susto ao vê-la abraçando e beijando na boca um cara que surgiu correndo. A amora ficou amarga, rançosa... Ela nunca soube que me feriu tanto. E eu nunca imaginava que me lembraria disso para o resto da vida.
Depois da curva da estrada tem um pé de araçá.
ESSA SUA HISTÓRIA ME LEMBROU UMA MÚSICA DO RENATO TEIXEIRA:
Amora
Depois da curva da estrada
Tem um pé de araçá
Sinto vir água nos olhos
Toda a vez que eu passo lá
Sinto o coração fechado
Cansado de solidão
Penso que deve ser doce
A fruta do coração
Vou contar para seu pai
Que você namora
Vou contar prá sua mãe
Que você me ignora
Vou pintar a minha boca
Do vermelho da amora
Que nasce lá no quintal
Da casa onde você mora
sera que por isso melancia para mim tem gosto de dia de pescaria?
nostalgia esta mais presente do que a gente pensa...
uma otima semana
beijos
Olá, desculpe mas no final não pude conter o riso...mas avida é assim mesmo, paixôes aparecem e somem quando outras cocupam seu lugar
achei o texto sensacional, sou nostálgico também, mas devido aos problemas que tenho nem sempre sei se tudo que me lembro realmente aconteceu ou apenas imaginei...
Aaiaiai
Cheiro de passado sempre trás boas lembranças...por mais que tenhamos coisas ruins no passado são as boas que sempre relembramos e lembramos com a certeza de que era melhor do que hoje!
Linda sua história hihihihi! Aamor juvenil, nada mais encantador!
Tenho visto, nos Blogs em geral, uma saudade do que já passou há um bom tempo..
Parece que os dias de hoje de nada valem, uma pena..
Espero lembrar com carinho de hoje daqui a alguns anos, espero mesmo..
Abraço.
Que nostalgia!! Gostei do post. Parab�ns!! Beijos.
Lindo o sentimento que você colocou ao escrever. Não é a toa que tens tantas premiações.
Leve isso sempre à frente!
Parabéns!
abraço.
http://sandluckily.blogspot.com/
Post: Flores.
Amigo, as coisas são assim mesmo... A primeira desilusão amorosa a gente nunca esquece.
Mas curioso... A palavra "Amora" traz, dentro de si, a palavra "Amor"...
Amor a... ao que mesmo?
Estou tentando descobrir... Enquanto isso, acho que vou no Carrefour mastigar algumas Ameixas.
(Gostei da sua narrativa, bem castivante! E realmente me impressiona que você se lembre disso depois de quase 20 anos)
100% nostalgico!
BUENO!
As desiluções nunca são esquecidas, e a minha vida está igualzinha a sua.
bjs
Uma coisa é certa o primeiro amor é imortal.
Não importa quanto tempo passe quanto de pessoas conheça , mas ele fica gravado é como uma tatuagem em um local do corpo que você não vê constantemente ,
mas ele vai esta sem pré lá povoando nossas lembranças.
[]s L.Sakssida
vou te favoritar no blogblogs!
*duvído
www.zecanet.blogspot.com